Nosso Bosque.




Sinopse: Ele era tudo para mim, ele É tudo para mim...
Tudo aconteceu lá, no "Nosso" Bosque... O Bosque do Bill e Tom... Sobre nosso lenço azul turquesa.


Classificação: +18
Categorias: Tokio Hotel
Gêneros: Death Fic, Drama, Yaoi, Amizade, Lemon, Shounen-ai, Tragédia, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Nudez


Notas da História:
- SEM PLÁGIO!
- Contém cenas de sexo entre dois homens, se não lhe agrada, retire-se.
- Ninguém me pertence, mas a estória sim, portanto nada de plágio, hein?
- Bill e Tom não são irmãos!
- Minha primeira ONE!
Obrigada e oa leitua para quem vai ler ^^



Capítulo Único


Acho que tínhamos 17 anos quando tudo começou, acho não, tenho certeza.

Ele era meu melhor amigo, nós éramos íntimos demais para simples amigos, mas nunca nos importamos, o que as pessoas pensavam, o que poderiam fazer, nada era realmente importante, a não ser que estivéssemos juntos, juntos tudo estava bem e poderíamos suportar qualquer coisa que fizessem contra nós dois. Ou contra um de nós.

Era sempre em um bosque, o nosso bosque. Deixe-me explicar para que entenda: Há a minha casa e a dele, a minha fica no fim da rua e a dele no começo, perto da minha casa tem uma linda praça onde as pessoas ficam, brincam, conversam... Namoram. Ao redor dessa praça há uma floresta, linda por sinal, e eu e ele descobrimos um bosque, que ninguém sabia da existência, apenas nós, eu e ele, nós o descobrimos e desde então nos encontrávamos lá sempre. Tínhamos dezesseis anos quando o encontramos...


Flashback on


Como sempre eu tive de andar a rua toda para encontrá-lo no começo desta, e minhas roupas até ajudavam, já que eram claras e largas, o vento fresco de Magdeburg refrescava o calor deste verão. Não evitei dar risadinhas ao vê-lo de longe incomodado com o calor em suas roupas negras e coladas, que só intensificavam o calor, o suor escorria por seu rosto, notava-se de longe, suas mãos tentavam limpar o suor que insistia em nascer em sua pele clara, impedia de desfazer sua sempre bem feita chapinha. Eu sabia o que ele ia falar quando eu chegasse perto dele e, como sempre, estava sorrindo por poder ouvir a reclamação, que saindo de seus lábios se tornava incrivelmente fofa.

– Oi. – eu disse em um tom risonho, meu sorriso só abriu ainda mais quando ele me dirigiu seus orbes castanhos como os meus, porém delineados com maquiagem.

– Oi? Oi? Você está atrasado e aparece com esse sorrisinho e um "Oi"? – ele fez um biquinho e cruzou os braços. – eu estou derretendo nesse calor e você nem se importa, você nem pensou em mim!

– Estou atrasado... – olhei no relógio que estava em meu pulso. – dois minutos, você que sempre chega adiantado demais.

– Não importa, continua atrasado!

– Prefere ficar discutindo comigo e derretendo mais ainda ou vamos logo para a praça? – arqueei a sobrancelha divertido. – Hein, Sorvete?

– Humpf, vamos. – depois sorriu doce, fazendo-me rir, amo esse sorriso e o jeito como seu humor muda rapidinho. – Quero um sorvete, falando nisso.

– Quando chegarmos à praça eu te compro um. – nós não nos importávamos em comprar as coisas um para o outro e nunca reclamamos, já que depois acabaríamos retribuindo o favor, apesar de que nossa amizade era tão forte que o meu dinheiro era o dele e o dele era o meu.

Nós caminhamos até a praça perto da minha casa jogando conversa fora, falando sobre o colégio e coisas do tipo, nada muito importante, volta e meia ele reclamava de nós morarmos longe um do outro e ele morar longe da praça. Eu sempre ia buscá-lo por causa de uns garotos que gostavam de bater nele e eu sempre o protegia, enquanto eu estivesse com ele ninguém o machucaria, e eu prometi que o protegeria sempre, é o que eu fazia... Fazia.

Assim que chegamos à praça ele estendeu nosso costumeiro lenço azul turquesa no chão, e sentou-se de pernas cruzadas, olhando para mim e depois o lugar onde eu deveria me sentar, onde eu SEMPRE me sentava, a sua frente. Eu nunca me repreendi por achá-lo lindo, pois ele era. Era o garoto mais lindo que eu já conhecera em toda a minha vida e sei, sei que ele foi o único e sempre será, o único que fez meu coração aquecer com um simples sorriso, com um pequeno gesto, com uma palavra... O único que eu amei e ainda amo.

– Vou comprar seu sorvete, espera um pouco. – sai de perto dele e fui até o nosso conhecido Georg, ele era um cara forte de uns vinte e poucos anos e sempre foi muito gentil comigo e ele, sempre com um sorriso amigo e de vez em quando conversava conosco. Eu gosto muito do Georg, ele é um bom amigo. Ele tem um "amigo", na verdade ele ama o Gustav, que também trabalha ali, mas ele era professor e sempre levava seus alunos na praça para brincarem, ele era legal também e costumava olhar as crianças conversando com o Georg, que, quando não vendia sorvete, vendia chocolate quente e coisas do tipo, mas só no frio. Dava bastante dinheiro, pois ele tinha uma das mais belas casas do bairro.

– Oi Georg, oi Gustav! – eu disse animado para os dois homens que trocavam algumas palavras divertidas.

– Oi! – disse Gustav sorrindo para mim.

– Eai, garoto? – perguntou Georg com aquele sorrisinho amigável de sempre. – tudo bem?

– Tudo sim, e vocês?

– Ah, na mesma, né? – disse Gustav e só o lesado do Georg não percebeu o quê a mais na frase e eu, claro, tive de rir.

– Huuum, bem, Georg eu quer...

– Um sorvete de abacaxi e outro de chocolate e se não tiver nenhum desses, dois de morango? – como sempre eficiente! Dei risada e ele olhou dentro do refrigerador e de lá tirou dois potes de sorvete, um marrom e outro amarelo. – aqui está... Como ele está?

– Irritado com o calor, diz que a chapinha vai morrer desse jeito.

– Sei como é. – disse ele alisando os castanhos que lhe caiam pelos ombros, eu e Gustav apenas reviramos os olhos. Entreguei o dinheiro a Georg e o fiz ficar com o troco, visto que eu provavelmente voltaria para comprar picolés.

Voltei até meu melhor amigo, deixando o "casal" conversar em paz.

– Eles mandaram um oi. – eu disse entregando o pote amarelo para ele que sorriu para mim e depois para o pote.

– Como eles estão?

– O Gust disse que na mesma. – nós rimos. Sentei-me no meu lugar, a sua frente, e passei a observá-lo abrir o pote com todo o cuidado, usando suas unhas pintadas de preto para ajudá-lo no trabalho e depois lamber a tampa tirando o sorvete, para depois colocar a colherzinha lá dentro e tirar um pouco do sorvete amarelo. Eu sempre ficava olhando esse seu ritual de calor. Sempre.

Ficamos conversando até o assunto ficar monótono e do nada seus olhos se arregalarem e brilharem intensamente.

– O que foi? – perguntei estranhando sua atitude.

– Você nunca se perguntou o que há depois dessas árvores? – ele apontou para trás, onde se encontrava a floresta.

– Huuum, mato? – disse como se fosse óbvio.

– Ah, qual é? Deve ter algo mais, que tal entrarmos e vermos o que tem? – passei a mão um pouco nervoso por meus dreads, só ele para ter tais ideias.

– Pode ser perigoso. – tentei essa e ele me encarou com aquela expressão "serio que disse isso?" e eu dei uma risadinha nervosa. – ah... Tudo bem, você sempre me convence.

– É, eu sei! – ele exclamou dando um pulinho sentado e batendo palminhas, eu só pude rir de sua infantilidade.

Logo nos levantamos e ele dobrou o "nosso" lenço perfeitamente bem, digo "nosso" entre aspas, pois o lenço é da mãe dele, mas como ele ama o lenço escolheu esse para ser "nosso", como eu já disse: Tudo o que era dele, era meu e tudo o que era meu, era dele, principalmente meu coração, mesmo que ele não soubesse... Ainda.

Eu fui seguindo seus passos, ele andava pé ante pé, nós escolhemos um lugar mais escondido para entrar, assim ninguém notaria o que estávamos fazendo, eu não ligava que vissem, mas ele dizia que poderiam nos seguir e descobrir qualquer coisa que nós poderíamos descobrir, eu não fui contra ele, claro, ou ele ficaria bravo e eu não queria isso. Nunca quis.

Eu ria de vez em quando, pois ele tropeçava, mas logo ficava sério depois de um olhar seco que ele me lançava. Tão lindo. Ele chegou lá antes de mim e parou assim que viu... Seus olhos brilharam e um lindo sorriso brotou em seus lábios, eu fiquei mais petrificado com sua beleza do que com o que havíamos encontrado, era um bosque, um lindo bosque, a grama não estava cortada, mas era baixa e havia umas flores, no lado oposto ao nosso havia uma árvore com umas folhas alaranjadas, era um lindo lugar. Não sei como ele era capaz de achar esses lugares, mas eu realmente gostei daquele bosque. Ele sorriu mais largo e olhou para mim.

– Só mato? – ironizou e eu tive de rir junto a ele. Não respondi nada, provavelmente a resposta já estava em meu rosto, então ele pegou minha mão, posso dizer que aquele simples toque fez com que meu dia fosse completo, disso eu tinha certeza. Lentamente ele me puxava mais para o meio do bosque, ainda admirado com sua beleza. Olhei para cima, o céu podia ser visto entre as folhas e galhos de árvores maiores. Ele só parou quando chegou à árvore, que tinha um espaço entre as raízes que saiam para fora, onde não havia muita grama e nem flores. Ele pegou "nosso" lenço e o estendeu, o lenço azul turquesa contrastou bem com as cores do bosque, sorrindo ele se sentou encostando em uma raiz e eu sentei a sua frente, encostando em outra raiz. Sorrimos um para o outro, ele por causa do bosque e eu por sua causa, aquele sorriso me deixava tão bem, se tudo estivesse se perdendo bastava seu sorriso e eu tinha forças para seguir com o dia e enfrentar meus problemas e tristezas. Aquele era o único sorriso no mundo que tinha esse poder sobre mim...



Flashback off


Um sorriso que há tempos eu não vejo... Um sorriso que eu sei... Jamais verei novamente.





Mais um dia... Isso é tudo para mim, só mais um dia para lamentar, eu não vivo mais, simplesmente existo. Sem ele não dá, não tem vida, mas eu sei que tenho de seguir em frente, como prometi a ele. Como nos prometemos. Vou embora de Magdeburg, vou para Berlim iniciar minha faculdade de Música, o meu sonho, meu sonho quase morto, se não fosse ele, se não fosse a nossa promessa. Estou indo me despedir... Mas apenas por um tempo, eu pretendo voltar, mesmo sabendo que ele não vai estar aqui, ele jamais estará, ele se foi para sempre e levou meu coração com ele.

Lembro tão bem daquele dia... Nosso aniversário de 17 anos e por coincidência era na mesma data 1º de Setembro. Ele me deu o melhor presente do mundo, o melhor.

Meu Bill... Sinto sua falta.


Flashback on



Agora nós nos encontrávamos todos os dias mesmo. Na escola e depois da escola, sábado e domingo inteiros, e algumas vezes fugíamos na calada da noite para nos encontrarmos no nosso bosque, sim, nós o intitulamos de nosso. Era o Bosque do Bill e Tom. Era nosso. Nosso segredo. Nossa casinha secreta. E eu amava tudo aquilo. Simplesmente adorava ver sua felicidade sempre que entravamos ali.

Hoje é nosso aniversário.

Pensei em um milhão de coisa para dar de presente para ele, e no fim, comprei muitas coisas, comprei alguns livros que ele queria ler, como: O Diário de Anne Frank*, Fallen Angels* e a série completa de Crepúsculo; comprei também um casaco que eu sabia que ele queria, comprei maquiagem (com ajuda da mãe dele, claro), comprei um ursinho, mas para mim ainda faltava algo, tinha mais alguma coisa, algo que fosse secreto, algo que fosse dele, porém tivesse um pedaço de mim. Então comprei um medalhão de ouro trabalhado em arabescos, onde ele poderia colocar duas fotos e eu realmente queria que a minha estivesse ali.

Mandei os presentes para a sua casa, graças a Deus hoje era domingo, e não tinha escola! Bem, eu só não mandei o medalhão, este eu daria no bosque. Os presentes foram deixados com Simone, a mãe dele, para hoje ele acordar com os presentes aos pés de sua cama, queria poder ver sua reação, mas talvez tenha sido a mesma que a minha, pois quando acordei e olhei para os lados vi sobre o sofá que havia no meu quarto um Bill usando o casaco que eu havia lhe dado, a maquiagem, talvez, e em suas mãos estava o Diário de Anne Frank, porém ele não lia, ele me encarava com um sorrisinho. Abri um sorriso bobo e nem notei que ao lado daquele ser espantosamente lindo havia várias caixas de presente.

Bill levantou deixando o livro sobre uma caixa e andou até mim e sentou na cama me empurrando para poder deitar ao meu lado, logo dei espaço e ele deitou colocando a cabeça na ponta do meu travesseiro, do lado oposto ao meu. Viramos-nos um para o outro e sorrimos fraco.

– Bom-dia e feliz aniversário. – ele sussurrou com um sorrisinho que o deixava muito fofo.

– Bom-dia e feliz aniversário. – repeti sua frase e rimos baixo. Levei minha mão até seu rosto e tirei uma mecha de seu cabelo de seus lindos olhos, porém ele os fechou com o toque de minha mão e eu reclamei. – abre os olhos, Bill, quero olhar para eles. – ele apenas sorriu e os abriu com aquela expressão de inocência que eu nunca conseguia imitar.

– Pronto.

– Assim está melhor. – ele sorriu e mexeu em meus dreads desorganizados.

– Eu gosto quando você está assim, sabia? – ele passou seus finos dedos por meu rosto provavelmente inchado e vermelho. – com os dreads desorganizados... Esse sorrisinho, não cansaria de ficar vendo você assim sempre, e... Você é lindo dormindo, fofo... – ele ficou completamente vermelho e saiu da cama quando eu sorri. Ele disse que eu era lindo! Nossa, um elogio nunca me afetou tanto quanto agora, realmente fiquei feliz com suas palavras e lá no fundo elas me fizeram ter esperança... Esperança de que ele me ame como eu o amo. – Arrr, err, huuum, trouxe seus presentes! Abra antes de irmos para nosso bosque, minha mãe fez o nosso café da manhã e está na mochila, com nosso lenço e dessa vez vamos levar travesseiros para encostar na árvore sem doer, ok? Huum... Anda Tom! Levanta e vai escovar os dentes e colocar uma roupa para irmos, estou com muita fome. – ele fez cara de pidão e segurou a barriga, então sai da cama e fui para o banheiro.

Fiz tudo o que tinha de fazer, escovei meus dentes, lavei meu rosto, mas não tomei banho, já tinha feito isso de madrugada depois que cheguei do bosque. Sai do banheiro e encontrei Bill deitado de bruços na minha cama lendo o Diário de Anne Frank, eu o amo, mas não só sentimentalmente, o físico também é amor e sinceramente, usando palavras um pouco grossas, Bill é um gostoso. Simplesmente sexy sem querer, não sei como não voei nele, deitado daquele jeito, jogando o quadril para um lado e para o outro, quase em uma dança erótica e eu simplesmente e literalmente babei por ele... Aquela bundinha... Oh, Mein Gott! Revirei os olhos com meus pensamentos maliciosos e abri meu armário, pegando uma roupa qualquer e vestindo-a, sem me importar se ele estava me vendo seminu ou não.

Mas ele nem me notou ali, ah, o livro, ele estava concentrado, mas eu deixei passar, sei que tem alguns anos que ele quer ler aquele livro, desde que o professor de história falou dele em uma aula sobre a 2ª Guerra Mundial, disse sobre essa menina, Anne Frank, uma judia adolescente que ficou um esconderijo e disse tudo pelo o que ela passou, pelo o que Bill me disse ela escreveu de 12 de junho de 1942 até 1º de agosto de 1944, e três meses antes de completar dezesseis anos ela morreu depois de sair de Auschwistz e ir para outro campo de concentração, o Bergen-Belsen, ela morreu de tifo. Bill, assim como a maioria dos alemães, odeia o Hitler, mas ele se interessa pelo assunto, ele tenta entender a mente daquele maluco. Bem, como odeio história não me interesso muito e ele sempre me ajuda com a matéria.

– O livro está bom? – perguntei parando ao lado dele, e me surpreendi ao ver que ele estava quase acabando o livro! Ele tinha ganhado ele essa madrugada! Como ele faz isso?

– Ah, está ótimo, bem "ótimo", né? – fez sinal de aspas e quando ele levantou os olhos não pude evitar a dor que me atravessou ao notar que ele estava chorando. – e-ela sonhou com a melhor amiga dela... E... Um amigo da família vai morrer e... Um monte de judeus morreu... Gente inocente! Eram pessoas, Tom, como nós, como eu e você, eles tinham uma vida, uma história, tinham parentes, Hitler tirou a vida de pessoas inocentes... Ele se aproveitou de nós, alemães, estávamos tristes e ele apareceu... Ele estragou nossa nação, desvirtuou as crianças... Ele matou... Matou crianças, crianças são tão inocentes, elas nem sabiam o que era viver. – eu o abracei para que ele parasse de chorar, era sempre assim quando ele lia algo sobre o assunto, eu devia me matar por dar esse livro para ele. – A Anne tinha uma vida e era feliz, ela era inocente, nunca havia feito mal a ninguém! Eu odeio o Hitler.

– Eu também, Billy, mas olhe, já foi e não podemos fazer nada. – acariciava seu cabelo. – tenho certeza de que essas pessoas estão em um lugar melhor, a Anne está em um lugar melhor. – ele me apertou mais e depois se afastou de mim, só um pouco e nossos rostos ficaram próximos. Mantínhamos o contato visual, eu queria beijá-lo, queria muito, mas tinha medo de sua reação, medo de perdê-lo de vez e sem ele eu não aguentaria viver...

– Os seus presentes, Tom. – ele beijou minha bochecha e sorriu.

– Ah, é... Huuum, vejamos. – ele me soltou e eu andei até o sofá e me sentei pegando a primeira caixa, ele ficou na cama olhando esperançoso. Abri a primeira caixa e quase tive um pire paque, era um helicóptero de controle remoto, um que eu queria muito! – Não acredito! Nossa! Meu Deus, obrigado, Bill!

– Ah, que bom que gostou. – ele deu seu costumeiro pulinho sentado batendo palminhas, orgulhoso de si pelo presente.

– Eu amei! Podíamos colocar um nome, que tal? – olhei interrogativo para ele. – escolha um nome você. – ele sorriu e saiu da cama, sentou no meu colo e pegou o aviãozinho na mão.

– Huum, Jumbie, é fofo, não? Jumbie.

– É perfeito. – ele sorriu orgulhoso de novo e deixou o Jumbie na mesinha e pegou uma caixa e me entregou, saindo do meu colo e sentando ao meu lado, claro que eu o prefiro no meu colo, mas não posso dizer, né? – Que boné lindo, Bill! – e depois tive de agradecer várias outras coisas como roupas, sapatos, CD's, até um quadro ganhei! Mas o MELHOR DE TODOS OS PRESENTES QUE JÁ GANHEI NA VIDA (até aquele momento) foi um que veio depois. Um presente que estava escondido, ele fez um jogo do tesouro comigo, no último presente havia um bilhete.

"Juntos em uma aventura vamos nós!

Pegue seu kit de sobrevivência e parta agora,

O lugar você conhece, tenho certeza

No meio da calma, você pode fazer muito barulho!"

Eu tentei entender, mas sou um puta lerdo e fiquei encarando o bilhete como um otário.

– Ah, Tom, pare de ser burro! – continuei encarando o pedaço de papel com sua linda letra lá.

– Boiei. – foi tudo o que eu disse.

– Olha, pega um "kit de sobrevivência" e vamos! – ele revirou os olhos me jogando uma mochila, nem perguntei o que era, só peguei um boné novo e coloquei na cabeça e o segui para fora.

Dei tchau para Gordon, meu pai.

– Agora pense! – Bill sorriu fraco. – O lugar você conhece, passa mais tempo lá do que em casa!

– Só se for o nosso Bosque, mas Bill? E essa última frase? Não entendi.

– Descubra o tesouro e vai descobrir o que quer dizer, ora! – ele sorriu como se escondesse o maior segredo do mundo e eu, curioso como sou, peguei-o pelo pulso e de mãos dadas corremos até a praça, onde paramos para comprar um chocolate quente com Georg que estava acompanhado de Gustav, que estava sem crianças, os dois conversavam de um jeito estranho, quero dizer, tinha olhares, sabe?

– Oi Geoooorg, oi Guuuustaaav! – disse "meu" Bill todo animado.

– Oi meninos! Feliz aniversário! – disse Gustav nos abraçando.

– Eai, moleques? Feliz aniversário!!! – disse o Georg nos abraçando também.

– Obrigado. – agradecemos em uníssono. – Geh, a gente quer...

– Dois chocolates quentes, o do Bill com pedaços de chocolate branco e preto, o do Tom com creme por cima. – terminou Georg por nós, rimos enquanto Georg preparava nosso pedido.

– Como vai a vida, Gust?

– Melhor ultimamente. – eu e Bill nos entreolhamos e sorrimos como se escondêssemos um segredo e Gustav sorriu do mesmo modo.

– Aqui está... O que veio fazer aqui hoje de manhã, Bill? Com aquel...

– Cala a boca, Georg! – exclamou Bill. – é o tesouro que o Tom tem de encontrar. – disse sorrindo orgulhoso do que havia preparado para mim e travesso.

– Ah, que tesouro, hein?

– Ta, vamos logo, quero saber o que é isso! – eu exclamei pegando meu chocolate e puxando Bill depois que ele pegou o chocolate dele, Georg fez de graça, já que era nosso aniversário.

Eu e Bill praticamente corríamos entre as árvores, eu louco para saber que surpresa era essa e ele louco para me mostrar. Quando chegamos eu estaquei no lugar, olhando de olhos arregalados para o lugar onde costumamos sentar, lá havia uma capa de guitarra, mas eu não sabia de lá tinha uma guitarra mesmo, Bill abraçou um de meus braços e me puxou, eu boquiaberto, claro.

– Huum, aqui está o tesouro, não vai abrir? – ele perguntou estendendo o lenço azul turquesa (novo) para sentarmos. Ele sentou e começou a beber seu chocolate quente com pedaços de chocolate, eu fiz o mesmo bebendo o meu, para ver se o liquido quente me acalmava. Ele ficou em silêncio, me observando tirar a mochila das costas e estender a mão para a capa de guitarra, meus olhos arregalados, não era possível, uma guitarra era cara demais! Bill teria de usar suas economias para comprá-la!

Deixei meu copo de lado e ele fez o mesmo, ele pegou as mochilas e tirou uns potes de lá e de outra tirou duas almofadas, lembro que ele falou sobre isso, assim poderíamos ficar mais acomodados. Mas meus olhos estavam no LINDO instrumento a minha frente, não podia acreditar! Era uma Gibson preta, mas ao seu redor havia uma linha branca.





Era a guitarra dos meus sonhos, eu não sabia o que falar, apenas levantei os olhos boquiaberto para Bill que bebericava seu chocolate quente me encarando com um sorriso, talvez achasse minha reação engraçada, ou só estava feliz por poder vê-la. Não sei. Mas no momento estava explodindo em alegria, aquela guitarra era cara, mas poderíamos até ficar "quase" quites, pois o medalhão de ouro não foi muito barato, comprei nessas lojas caras e tive de usar minhas economias, não estou reclamando, claro que não! Mas isso não quer dizer nada, o que eu tinha em minhas mãos era uma GIBSON! A guitarra dos meus SONHOS!

– Bill... – mas eu não sabia o que dizer, simplesmente não sabia, ele sorriu.

– Gostou?

– 'Tá louco? Eu adorei! Nossa, nem sei como te agradecer! – ele apenas riu e tirou a Gibson da minha mão, colocando-a ao nosso lado, e depois peguei meu chocolate de volta, agora um pouco mais frio, mas ainda bom.

Olhei para as coisas a nossa frente, hoje eu sentei ao seu lado, tinha uns pratinhos descartáveis e em um bolo pequeno estava escrito Bill + Tom no bolo, eu sorri. Havia também refrigerante e cupcakes, brigadeiro e duas velas no bolo com o numero 17 em cima. Ele tinha preparado uma festa só nossa, nós tínhamos outros amigos, mas a nossa amizade era a principal, por isso tínhamos uma festa só nossa.

– Preparou tudo isso? – perguntei apontando para a nossa "festa". Ele sorriu e pegou o celular e colocou umas músicas para tocar, umas que eu e ele gostávamos. No momento passava uma bem legal, "Hold My Hand" do Michael Jackson e Akon, é, ele sabe como me agradar.

– Preparei... É a nossa festa pessoal. – ele deu uma risadinha. – achei que merecemos.

– Sim... Eu tenho outro presente, um que eu queria te dar aqui. – eu disse tirando a caixinha com o colar, seus olhos se arregalaram ao ver a caixinha.

– Mas Tom... Essa é a loja de jóias mais cara de Magdeburg! – ele exclamou e eu apenas dei de ombros, ele merecia, para mim Bill merecia o mundo se possível. Eu abri a caixa e sua mão foi para a boca, um sorriso lindo e feliz brotou em seus lábios e eu me senti mais do que orgulhoso. – Tom, é lindo! Nossa. – ele pegou e ficou olhando, depois o abriu e me olhou. – vou colocar uma foto sua aqui, uma sua comigo e outra da minha mãe... Obrigado, é lindo... Eu amei. – ele limpou uma lágrima que apareceu ali no cantinho, eu coloquei o colar nele e voltei ao meu chocolate e depois riu, mas riu com gosto.

– Que foi? – perguntei confuso.

E então ele ficou sério e se virou completamente para mim, sentando na parte posterior das pernas, nós nos encaramos sérios, seu rosto estava próximo, como hoje mais cedo. Sua mão direita veio para meu pescoço coberto pelos dreads loiros e acariciou aquela parte, e depois seus olhos voltaram aos meus, ainda havia um sorrisinho divertido em seus lábios, coloquei minha mão em seu rosto e acariciei, vendo-o fechar os olhos e depois abri-los novamente. Eu acariciava a pele macia de seu rosto, sentindo alguns pelos se eriçarem e fiquei muito feliz por estar causando isso nele... Seus olhos, ah, seus lindos orbes castanhos! Eles me preenchiam de uma forma inexplicável!

– Tem creme... Na... Na sua... – ele olhou para meus lábios e suspirou, senti seu hálito quente com cheiro de chocolate bater em meu rosto. – na sua... Boca. – ele se aproximou mais e lambeu meu buço, tirando dali o creme que o chocolate deixou, meu coração deu um salto, sua língua roçou em meu lábio superior e eu estremeci. Logo ele se afastou mais um pouco, só um pouco, nossos narizes estavam lado a lado e sua boca a centímetros da minha, nossos olhos conectados como se fosse impossível eles se separarem, o que era verdade. Sua outra mão veio para o outro lado da minha cabeça, alguns dedos ficaram em minha nuca e outros atrás da minha orelha, seu dedão ficou em minha bochecha e ele fazia um carinho lá e em minha nuca. Eu estava me sentindo calmo e ao mesmo tempo a ponto de explodir. Automaticamente meus olhos foram para seus lábios entreabertos assim como os meus e depois voltaram aos seus que abandonavam meus lábios também. – Tom... – sussurrou fechando os olhos. – e-eu tenho... uma coi-sa pra t-te contar...

– Diga... – eu sussurrei levando minha mão até seu tronco e lhe acariciando ali.

– Eu a-acho q-que... – ele suspirou pesadamente, fechei meus olhos, precisava ouvir suas palavras, porém necessitava de seus lábios nos meus. – que e-eu te... Eu te amo.

E foi simples assim, três palavras. Simples e diretas, foram essas três palavras que fizeram meu peito disparar e o ar começar a faltar, que fizeram a mais pura alegria me preencher. E foi ai que descobri que o melhor presente do mundo havia sido me dado, nesse exato instante, e foram três palavras, poderiam me dar tudo que há de bom no mundo, mas nada me deixaria tão feliz quanto essas palavras e mais... O que elas significavam e de quem elas vieram. Foi naquele segundo que me senti a pessoa mais completa, que me senti um ser humano... Que me senti amado e sabia que acabaria chorando, eu queria tanto escutar aquelas palavras... Tanto!

– Bill... Eu te amo muito... – e sem suportar mais esperar uni nossos lábios, só uni, queria sentir a textura de seus lábios nos meus, massageava nossos lábios até o sentir abrir a boca e abri ao mesmo tempo e juntas nossas línguas adentraram as bocas, um beijo... Não, o beijo! O melhor beijo da minha vida, disso tenho certeza, ele era delicado e eu o acompanhava, nossas línguas pareciam dançar em harmonia e calmas... Nós nos acariciávamos com lentidão, carinho... Amor. Aquele beijo... Era tudo e eu colocava todo o meu amor nele. Sorrindo nos separamos, encostamos nossas testas e ficamos sorrindo um para o outro, não havia palavras, só sentimento e nossos olhos, nosso beijo, nossos corações diziam tudo por si só.

Sorrindo de um jeito meigo ele voltou a se sentar ao meu lado e eu o abracei pela cintura, colando seu corpo ao meu. Ele pegou um isqueiro e ascendeu as velas de 17 anos. Eu sorri para o nosso bolinho e pensei "nossa data de aniversário e de namoro é a mesma... Da próxima serão dois bolos" ele dirigiu seus olhos para mim novamente e me roubou um selo e depois deu uma risadinha nervosa.

– Huum, hora de cantar parabéns. – nós rimos e cantamos "parabéns pra você" abraçados, olhando de vez em quando para o bolo, ou um para o outro, eu o amo tanto!!!

Eu lembro ainda dele todo vermelho tentando evitar meu olhar e ao mesmo tempo querendo me olhar, ele mexia no cabelo toda hora, colocava atrás da orelha e depois tirava novamente, eu só parecia calmo, mas estava muito nervoso. Minha mente viajava em seus lábios e depois em como seria daqui em diante, seríamos namorados?Ah, finalmente ele era meu, meu Bill. Tão sensível e adorável!

Nós ainda estávamos em silêncio enquanto ele cortava o bolo e eu colocava refrigerante em dois copos. Eu realmente não sabia o que dizer, estava muito feliz, feliz mesmo, agora que eu sabia que ele me amava, como ficar triste? Agora Bill era meu e eu era dele, simples assim, eu sempre fui dele, mesmo ele não sabendo... Nós trocamos o primeiro pedaço do bolo, e mesmo que tivesse mais gente ali o meu primeiro pedaço continuaria sendo dele. Comemos em silêncio, porém com os olhos grudados um no outro e quando acabamos o silêncio me matava.

– Huum, Bill? – ele limpou a boca com um guardanapo e deixou o copo e prato de lado, olhando para mim novamente. – como ficamos agora? – ele corou.

– E-Eu nã-não sei... Para dizer a verdade eu achava que não era correspondido. – ele baixou os olhos e depois olhou para mim novamente. Eu o puxei com delicadeza pelo braço e ele deixou seu corpo "cair" ao lado do meu, Bill colocou sua cabeça em meu peito, enquanto eu o abraçava.

– Eu te amo, te amo muito mesmo... – beijei o topo de sua cabeça. – e eu quero ficar com você para sempre.

– Eu também, Tommy. – ele disse manhoso apertando mais meu tronco.



Algumas semanas depois.



Ficamos no "nosso" Bosque mais algumas horas, curtindo um ao outro, dizendo palavras bonitas, elogiando, namorando, até cantamos, eu toquei e ele cantou, eu sei cantar sim, só que minha voz é rouca, e a dele era melodiosa e linda.

– Bill, você é lindo. – eu dizia, ele dava uma risadinha e se encolhia e seu rosto ficava rosado.

– Ai, Tom, para com isso.

– Meu fofinho. – e mordia sua bochecha, fazendo-o rir mais um pouco e depois me beijar mais intensamente, chamando minha língua para uma batalha particular com a sua.

– Ah, esqueci de te mostrar uma coisa que eu fiz. – ele disse sorrindo e mordendo o lábio inferior o que para mim foi muito sexy.

– Aaahn, mostra. – eu tive uma taquicardia quando ele levantou a blusa e eu fiquei encarando a barra de sua boxer preta, nossos corpos ainda estavam grudados e sua perna esquerda estava sobre a minha direita e minha mão estava nela. Gelei ainda mais quando o vi descendo a boxer lentamente e sabia que seus olhos acompanhavam minha expressão que devia ser maliciosa no momento, pois eu brincava com o piercing e mantinha os olhos semi cerrados, mantendo-os em um único ponto, uma estrela tatuada em sua pele clara e macia. Sem perceber eu afastara a mão de Bill e levara meus lábios até sua tatuagem, beijando-a e depois lambendo-a, ele ofegou e eu sorri, levando meus lábios mais uma vez até seus deliciosos lábios, beijando-o de forma ardente, hora mordendo seu lábio inferior hora beijando com intensidade, mas o que me surpreendeu foi quando ele chupou minha língua.

– Bill. – gemi beijando seu pescoço. – você é muito sexy.

– Toooom... – gemeu de volta, puxando meus dreads para novamente nos beijarmos. – paraaa.

– Só disse a verdade, delícia. – chupei seu pescoço, deixando lá uma marca, a minha marca. – um gostoso.

– Tom, é sério, estou com vergonha, para. – ele disse, balançando a mão de um jeito histérico e eu apenas ri e o beijei.

Não sei por que, mas nós não falamos a ninguém do nosso "namoro", não era bem um namoro, era mais um rolo, mas eu o amava muito e a cada dia que passava eu queria revelar a todos que o amo e que ele era a minha vida, mas não sabia se ele sentia o mesmo, então só curtia o que já tínhamos. Mas acho que entendo, acho que é porque parecia uma aventura, a nossa aventura, nosso segredo que ninguém podia descobrir, era divertido assim e eu sei que se acabasse eu sentiria falta, então talvez não fosse tão ruim esconder o que sentíamos. Mas era frustrante sair com ele e não poder tocar sua mão ou acariciar seu rosto do modo que eu queria.

Mas como é meu Bill eu espero, se eu o tiver, para mim está bom, eu aceito feliz, pois sei que ele me ama e eu o amo, mais que tudo nesse mundo.



Meses depois.



– Ei! – escutei seu sussurro em minha orelha e olhei para seus LINDOS orbes castanhos.

– Oi?

– Você me ama?

– Claro que amo! – ele duvida?

– Tom... Se eu morresse, o que você faria? – eu o encarei confuso e depois olhei para nossas coisas totalmente bagunçadas no outro lado da árvore, depois de um total agarramento em nosso lenço azul turquesa e vi aquele livro, que ele já tinha lido, mas andava com ele sempre, O Diário de Anne Frank.

– Bill, ainda não parou de pensar nisso? – perguntei preocupado encarando-o em meus braços, estávamos meio deitados, eu escorado em uma raiz da árvore e ele de bruços sobre o meu corpo.

– Não... Responda-me, o que faria?

– Eu me mataria. – ele beijou meu rosto.

– Eu não ia gostar... Eu iria preferir que vivesse sua vida e perseguisse seus sonhos. Eu ia querer que amasse outra pessoa e fosse feliz com essa pessoa. Mas mesmo morto eu te pediria para não me matar em seu coração. – seus lábios tocaram meu peito, meu coração. – porque você nunca morreria para mim. Promete que se algo acontecer vai continuar?

– Bill...

– Se me ama... Prometa. – qual era o medo dele afinal? Estávamos juntos, para quê temer a morte?

– Eu prometo meu amor, eu prometo. – ele suspirou tranquilo e me beijou acariciando meu rosto.

– Eu sempre vou estar com você, Tom... – ele tocou meu coração. – pois eu te amo e nunca vou te deixar, vou estar sempre aqui dentro, no seu coração... Eu vou estar sempre vivo para você.





Flashback off



As lágrimas mais uma vez escorriam descontroladas por minha face. Eu não as limparia, sempre viriam outras. Costuma-se dizer que chorar limpa a alma e leva embora as mágoas do coração, isso é mentira, eu sei disso e se você já sofreu de verdade, se você sofre mesmo, você sabe, chorar não muda nada.

Mas a culpa daquilo ter acontecido ao meu amor foi minha, toda minha e eu tenho de me culpar eternamente por isso, eu o amo, sempre amei e sempre vou amar. Eu só estou vivo por causa dele, somente por ele. Mas ele ainda está vivo para mim, aqui dentro de mim, eu sei, pois a cada batida do meu coração eu escuto aquelas três palavras que ele me disse.

– Tom? – a voz de meu pai se fez presente no quarto, mas não levantei meus olhos, ele já sabia que eu estava chorando novamente. – Filho...

– Me deixa pai.

– Tom, já faz um ano. – ele sentou ao meu lado e me abraçou com força, eu aceitei o abraço, pedindo mudamente para um pouco de carinho, pedindo algumas palavras felizes, pedindo amor...

– Para mim parece que foi ontem. – o senti mexendo nas minhas tranças, como Bill fazia.

– É... Eu sei como é perder alguém que se ama. – ele disse relembrando da morte de minha mãe, que morreu quando eu tinha apenas cinco anos, ela morreu atropelada.

– Pai... – eu me afastei e fechei a mão em meu peito, amassando minha camisa. – isso não vai passar nunca? – referi-me à dor em meu peito. Ele apenas me encarou tristemente, ele, mais do que ninguém sabia que jamais passaria, desde os meus cinco anos ele não se relaciona com ninguém. – pai... Ele nunca mais vai sorrir para mim.

– Calma Tom, ele te ama, você sabe disso. – Gordon limpou minhas lágrimas. – feche os olhos e imagine ele sorrindo, é assim que ele quer que você pense nele, em como ele era, um garoto feliz que te amava com todo o seu ser... Acha que ele está sorrindo ao ver você assim? Não, ele não está, então Tom, pense nele feliz e fique feliz!

– Mas pai...

– Sorria porque aconteceu Tom e não se lamente porque acabou. – eu assenti e sequei as lágrimas, que eu sabia, logo voltariam. – Suas malas estão prontas.

– Eu vou me despedir dele e dos G's. – disse me levantando e pegando minha carteira e meu violão.




Flashback on


Beijos. Toques. Beijos. Ofegos. Beijos. Palavras. Respirações aceleradas. Beijos. Desejo...

– Bill... – gemi pela milésima vez.

Mais uma vez eu e Bill estávamos no "nosso" Bosque e ele estava sentado no meu colo, suas pernas ao lado de meu corpo, e ele pressionava minha ereção, lambendo e mordendo meu pescoço, arranhando minha barriga com suas unhas e ele ofegava também, estava ereto, ele queria.

– Biiill... – ele se afastou e eu observei seus lábios inchados e avermelhados.

– Tom... E-Eu quero. – ele admitiu corando.

– Tem certeza? Tipo... Aqui? – olhei para o Bosque não muito iluminado, já que estava anoitecendo.

– Aqui, agora, com você. – ele disse convicto do que queria e eu apenas sorri, observando-o tirar a camisa e corar ainda mais. – eu sei que não sou perfeito, não sou como você.... Mas eu te amo e quero que seja especial, por isso que quero que seja aqui, foi aqui que admitimos o que sentimos.

– Você é perfeito Bill. – beijei seu coração. – e vai ser especial, eu prometo. – Ele apenas assentiu, deixando eu deitá-lo em nosso lenço azul.

Eu o beijei com carinho, muito carinho e amor, nossos lábios unidos explodiam e vários sentimentos, mas o que queríamos seguir agora era o desejo. Eu desejava seus lábios, seu amor, sua voz, seus gemido, desejava seu corpo... Desejo. Estava frio hoje, mas eu sentia como se estivesse dentro de uma sauna. Bill puxava minhas tranças, ele amava puxá-las, dizia que eram melhor que os dreads. Nossos lábios se separaram ofegantes, e sempre que nossos olhos se encontravam eu podia ver quanto amor havia neles, podia sentir. Ele sorriu malicioso tirando minha camisa e parando para suspirar ao contato de nossas peles quentes, a única coisa fria era o piercing que havia em seu mamilo, coisa que notei apenas agora.

– Não sabia que tinha um piercing no mamilo. – eu disse lambendo os lábios.

– Surpresa. – disse ofegante.

Beijei seu pescoço e depois chupei, deixando uma marca grosseira em sua pele clara, mas não pude me demorar muito naquele local tão conhecido, meus lábios ansiavam por outras partes, por coisas novas e mais excitantes, como seu mamilo esquerdo e o piercing que lá havia. Estendi a língua tocando-os delicadamente, mas o toque tão macio fez com que ele silvasse, estimulado por isso permiti-me brincar mais com aquele piercing, mexendo-o para cima e para baixo passando minha língua em seu mamilo muito sensível. Bill puxava minhas tranças e ofegava, mas eu apenas troquei de mamilo, só para ouvir mais gemidos, mais alguns apenas, pois uma certa estrela ainda me esperava.

Estávamos ao ar livre, mas ainda assim o ar parecia faltar naquele lindo lugar, no nosso lugar.

Estendi a língua e fui lambendo todo o caminho até a estrela escondida pela calça e a boxer, pude ver sua ereção quando a calça se foi para qualquer lado de onde estávamos. Beijei suas coxas, pois eu as amo muito, assim como sua bunda, mas dessa cuido depois, agora só quero morder e beijar suas coxas branquinhas, mas até eu fiquei desesperado, eu precisava de MAIS, então tirei sua boxer totalmente satisfeito com o que via, meu namorado totalmente ereto por minha causa.

Ele se apoiara nos cotovelos e estava me olhando com os lábios entreabertos e uma expressão de completo desejo e tesão, mas faltava algo ali... Os gemidos. Passei minha língua por toda a extensão de seu membro e o vi jogar a cabeça para trás gemendo alto, vi seu peito subir e descer com mais rapidez e antes que ele pudesse se recuperar eu abocanhei seu membro e o apertei com força, fazendo-o dobrar as pernas e arquear as costas, gemendo meu nome alto. Eu mesmo já estava incomodado dentro de minha calça e boxer, então, enquanto trabalhava com a boca tirei minhas calças e minha boxer e me toquei, gemendo contra seu membro. Eu já não escutava seus gemidos, o prazer que sentia em me tocar e tocá-lo daquela forma inundavam minha mente de qualquer outra informação, de qualquer outra coisa que não fosse o prazer que meu amor tinha que sentir agora.

Não demorou muito e ele ejaculou em minha boca e depois me encarou preocupado, era a sua primeira vez na vida e era a minha primeira vez com um garoto.

– Des-Desculpa... E-Eu nã-não... – tentou dizer em meio aos ofegos mas eu não liguei, apenas voei em seus lábios para que ele sentisse seu sabor, para que ele entendesse o quanto eu o desejava, o quanto precisava dele.

Ele foi interrompendo o beijo e me fez sentar e depois olhou para meu membro, parecia não saber bem como fazer aquilo, mas eu sabia que ele queria, eu conhecia todas as suas expressões e desejos, sabia que ele amava aprender, por mais simples ou difícil que pareça ele sempre quer mais e sempre quer me agradar. Eu ia impedi-lo, mas ele apenas segurou minha mão e chupou três dedos e depois colocou minha mão em sua bunda, ele estava de quatro, eu arregalei meus olhos para sua iniciativa, pensei que ele teria mais vergonha, mas me enganei, talvez ele realmente me deseje como eu o desejo.

Eu ainda estava pairando em pensamentos com a mão em suas nádegas quando senti algo molhado e quente em meu membro, o que me fez apertar sua bunda e o senti gemer. Olhei para baixo e ele começava a mexer a cabeça para cima e para baixo, era tão bom, ele era tímido, mas era extremo o prazer que me dava vê-lo e senti-lo assim. Tentei tirar minha atenção do que ele fazia em mim e decidi fazer o que tinha de fazer, ou seja, prepará-lo. Coloquei o primeiro dedo lentamente, sentindo-o contrair-se, então acariciei e beijei suas costas para que se acalmasse, não queria que ele sentisse dor, nem agora, nem depois, então fui muito paciente com ele e cuidadoso, meu Billy não merece sofrer.

Eu já tinha três dedos dentro dele, os movimentos antes calculados e circulares agora eram de vai e vem e um tanto quanto rápidos, conforme eu o estocava com os dedos ele me chupava, eu corpo inteiro se mexia, fazendo com que o que ele fazia em mim se tornasse mais intenso e incrivelmente prazeroso. Ele às vezes parava um pouco para gemer de prazer.

– To-oom... E-eu não... aguen... to mais... Quero voc-cê. – ele disse tirando a boca de meu membro e me olhando com olhos pidões, porém cheios de desejo e luxúria. E eu soube que naquele momento eu precisava dele, simplesmente precisava de mais contato, precisava amá-lo. Tirei meus dedos de dentro dele e antes que eu pudesse me movimentar ele sorriu fraco e sentou em minhas pernas me dando um leve selinho. – quero que me possua com todo o amor que há em você.

– Eu possuirei, meu amor. – voltamos a nos beijar e eu o segurei pela cintura, nos deitando mais uma vez no lenço azul turquesa, eu o beijei com carinho e posicionei meu membro em sua entrada, ele respirou fundo e fechou os olhos, fui com cuidado, mas mesmo assim deve ter doído, pois ele grunhiu e arranhou minhas costas, eu parei, esperei e novamente ele fez sinal para que eu continuasse, continuei e parei na metade quando as lágrimas começaram a cair de seus olhos. – quer que eu pare?

– Não... Só espere mais um pouco. – ficamos uns minutos assim até ele respirar fundo mais uma vez e segurar meu rosto entre suas mãos e olhou em meus olhos, seus orbes castanhos, agora negros, brilhavam ainda mais com a luz da lua, ele estava ainda mais belo. Acenou, e eu fui devagar e consegui entrar completamente. Nós sorrimos fraco um para o outro enquanto eu descançava um pouco com o rosto em seu ombro, precisava me mexer, mas eu esperei por ele. – Tom... – eu o encarei. – eu te amo muito.

– Eu também, mais do que imagina.

– Eu sei... Pode começar, amor. – e dito isso eu dei uma leve estocada, seu membro mais uma vez ereto e conforme eu me movimentava acabava raspando nele, de forma a dar mais prazer ao meu moreno lindo. – ahwwwwnnn...

Nossos corpos estavam grudados e suas pernas me abraçavam, nossos lábios eram fogo e urgência, nossas peles pareciam querer queimar, nosso beijo descontrolado era acompanhado por estocadas também descontroladas, que faziam Bill gemer e gritar ao mesmo tempo, e um prazer enorme me preencher, não só por dar-lhe prazer, mas por poder amá-lo como sempre sonhei em fazer.

Gemidos. Beijos. Calor. Sexo. Gritos. Desejo. Carinho... Amor.

Minhas mãos apoiavam meu peso e as mãos dele estavam em meus ombros, agora eu estava um pouco mais distante de seus lábios, observava suas faces de prazer e seus sorrisos, seus gemidos e como era excitante quando ele mordia o lábio inferior, fechava os olhos, unia as sobrancelhas e soltava um gritinho abafado misturado a um gemido longo. As estocadas agora eram compassadas e muito profundas, atingindo seu ponto sensível, eu tirava e colocava meu membro, eu estava marcado de unhas e mordidas, chupões e vergões vermelhos, causados pelo homem que eu amava... Amo.

Com mais algumas estocadas eu me desfiz dentro dele e ele em nossa barriga, mas eu não sai de dentro dele, continuei na mesma posição, ofegante, nós dois estávamos ofegantes e buscávamos o ar puro daquele Bosque como se nossas vidas disso dependesse (o que cientificamente é verdade, mas a minha vida dependia dele... Depende), olhei para o ser mais belo do mundo deitado abaixo de mim, respirando quase normalmente com um sorriso nos lábios e os olhos fechados, a beleza realçada pela luz prateada da lua e o lenço azul abaixo de si e uma onda de amor me atingiu e eu me senti o mais feliz e completo homem da Terra. Ele abriu os olhos quando a lágrima caiu de meus olhos para sua bochecha e escorreu, primeiro seus olhos ficaram preocupados, depois suaves e depois... Apaixonados.

– Não chore. – pediu-me limpando as lágrimas que insistiam em cair. – sorria, você é lindo sorrindo.

– Eu te amo. E você é minha vida, tudo o que eu preciso se resume em você, Bill Kaulitz. – eu disse cessando as lágrimas e abrindo aquele meu sorriso que eu sabia que ele gostava.

– Du bist alles was ich bin. – ele sorriu lembrando da letra de uma música que eu escrevera para ele. – and you're my sacred love, Tom Trümper. – eu sorri, amava essas palavras que ele dizia nos momentos certos.

Naquela noite em Magdeburg, Alemanha nasceu um homem feliz. Eu.



Flashback off




Eu caminhava... aquele caminho tão decorado de um ano pra cá, um caminho que eu não queria decorar, mas decorei, às vezes eu queria me perder e ser pego pelas garras do destino, como o meu amor foi pego, e de certa forma eu fui, pois minha vida foi com ele.

Infelizmente eu já estava naquele grande portal desgastado do belo e depressivo cemitério de Magdeburg, suspirei pesadamente tentando inutilmente controlar as lágrimas que já caiam livremente, eu segurava meu violão e lírios brancos com uma única tulipa vermelha no centro, lembro-me bem do que ele disse sobre as tulipas "Sabe o significado de Tulipas vermelhas, Tommy? Não, não sei Billy. Amor eterno.". É por isso que sempre tem uma tulipa vermelha entre todos os buquês que eu deixava para ele. Passei pelo portal e o cheiro de flores invadiu minhas narinas, mas eu simplesmente ignorei e continuei meu caminho, passando pelo lugar onde havia as crianças, os "engavetados" e por fim cheguei até onde ele estava, a parte cheia de grama verdinha e lápides enterradas no chão e os nomes. Andei sem nenhum ânimo até sua lápide e sorri de leve, ele mesmo sem querer me anima, me faz sorrir mesmo tão longe. Antes de falar qualquer coisa eu deixei o buquê frente à lápide.


Aqui jaz Bill Kaulitz

01/09/1989-01/09/2007

Du bist alles was ich bin

You're my sacred love

Eu te amo.



Suspirei olhando o pedaço de pedra e peguei meu violão.


Na, na
Na, na, na, na, na, na
I miss you
I miss you so bad
I don't forget you
Oh, it's so sad
I hope you can hear me
I remember it clearly


The day you slipped away
Was the day I found
It won't be the same
Oh

Na, na
Na, na, na, na, na, na

I didn't get around to kiss you
Goodbye on the hand
I wish that I could see you again
I know that I can't
I hope you can hear me
I remember it clearly


The day you slipped away
Was the day I found
It won't be the same

Oh

I've had my wake up
Won't you wake up
I keep asking why
I can't take it
It wasn't fake
It happened you passed by

Now you're gone
Now you're gone
There you go
There you go

Somewhere I can't bring you back

Now you're gone
Now you're gone
There you go
There you go

Somewhere you're not coming back


The day you slipped away
Was the day I found
It won't be the same

Oh


Na, na
Na, na, na, na, na, na

I miss you



A música de sempre. A verdade de sempre. A saudade de sempre...

Um dia eu li:

"A saudade nunca vai, mas saudade sempre volta".

Um dia eu ouvi:

"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era para sempre sem saber que o "pra sempre", sempre acaba, mas nada vai conseguir mudar o que ficou, quando penso em alguém só penso em você".

Um dia eu pensei:

"Eu vou te amar para sempre e sei que você vai me amar também"

Um dia eu lembrei:

"Mas mesmo morto eu te pediria para não me matar em seu coração. Porque você nunca morreria para mim. Promete que se algo acontecer vai continuar? Eu sempre vou estar com você, Tom... Pois eu te amo e nunca vou te deixar, vou estar sempre aqui dentro, no seu coração... Eu vou estar sempre vivo para você".

Um dia eu sofri:

"Ele... está morto".



Flashback on


– Pai, preciso conversar com você. – eu disse completamente decidido ao meu pai, que bebericava um café forte lendo o jornal da manhã. Eu decidi que precisava revelar a todos o meu amor, queria que todos soubessem que o "Bill Frágil", o "Billa", o "Bill Viadinho" tinha alguém que o amava do jeito que ele era, que ele tinha alguém para protegê-lo e fazê-lo sorrir sempre que ele precisasse.

– Diga, filho. – ele deixou o jornal de lado e o café também e me encarou, Gordon sempre foi um bom pai, sempre me deu atenção e me ajudou quando precisei.

Depois de amanhã seria meu aniversário e de Bill, faríamos 19 anos, sem contar que faríamos dois anos de namoro, eu estava muito animado, feliz, pois comprara alianças e o pediria em namoro oficialmente, eu até o pediria em casamento tamanho o amor que sinto por ele, mas vamos esperar, né? Quem sabe depois da faculdade?

– Eu preciso te contar uma coisa que vem acontecendo há uns dois anos, ou até mais se pararmos para pensar. – eu disse sentando a sua frente, por fora eu até parecia tranquilo, mas não sabia como meu pai reagiria, então havia certo medo. Seu único filho, gay?

– Tem haver com Bill? – ele adivinhou, eu apenas o encarei sério, era tão óbvio assim?

– Err, tem sim, é sobre ele... Sobre nós que eu quero falar. – ele deu um sorrisinho e fez sinal para eu prosseguir. – pode parecer estranho, mas eu gosto do Bill há muitos anos, não desde que nos conhecemos, já que eu tinha uns seis anos, mas desde então ele se tornou meu melhor amigo... Acho que foi com uns 14 anos que eu percebi que o "gostar" já era diferente, eu não o via mais como meu melhor amigo. – respirei fundo. – eu o via como algo mais. Com 15 eu achava que era paixão, já que ele lembrava uma garota e tudo o mais, achava que era atração física. Com 16 eu percebi que já não podia mentir para mim e eu realmente gostava muito dele, aquele magricela não saia da minha cabeça e eu não queria mais ninguém a não ser ele, eu queria estar sempre com ele... Com 17... No nosso aniversário de 17 anos nós acabamos revelando o que sentíamos um pelo outro e desde então estamos juntos, só que escondido e eu realmente não sei o motivo, visto que nunca ligamos para o que os outros pensam. – arrisquei uma olhada para ele e quase suspirei aliviado quando vi um sorrisinho em seus lábios. – Depois de amanhã é nosso aniversário de namoro, dois anos, sem contar que é nosso aniversário e... Eu vou pedi-lo em namoro de verdade, pedir para a mãe dele, já que ele não tem pai. Eu quero estar com ele livremente, pai e não ter que ficar encontrando-o escondido como fizemos por dois anos. Eu o amo de verdade.

– É, dá para ver, está estampado em seus olhos e atitudes... Bem, eu até já desconfiava, só não entendo por que está dizendo isso a mim...

– Porque o senhor é meu pai... – dei de ombros e rimos juntos. – então tudo bem por você eu... ser gay? – 'Tá, para mim foi difícil dizer isso, ok? Mas é pelo Bill... Por ele eu até viro o Papa.

– Se você é feliz assim. – ele deu de ombros. – mas vai ter de trazê-lo para jantar conosco, hein? Quero conhecer meu genro melhor! – disse sorridente.

– Eu vou trazê-lo hoje! Junto com Simone, acha que não sei dos seus flertes? – ele engasgou e eu dei risada abraçando-o. – obrigado, pai, não sabe o quanto estou feliz... Eu o amo tanto!

– Ok, Tom... Rsrs'



1º de Setembro de 2007 Coloquem Far Away do Nickelback ou My Immortal, do Evanescence



– Alô? Bill? – eu perguntei assim que alguém atendeu o celular do meu moreno.

Tom? Oi amor! – ah, essa linda voz! Sempre fico feliz com ela!

– Feliz aniversário! De namoro também, meu lindo.

Awn, para você também! Nossa, dois anos juntos! Quanto tempo, sou a pessoa com quem você ficou mais tempo! Que orgulho de mim! Hahaha... Amor?

– Oi?

Eu te amo.

– Eu te amo.

Que horas vamos nos ver?

– Me encontre no nosso Bosque às 14h00min, ok?

Ah, ok! Vou tomar um banho e depois te encontro lá, meu lindinho, ah Tom, eu te amo tanto!

– Eu também. – sorri ao pensar no quanto isso era verdadeiro e real para mim, eu poderia passar minha vida toda ao seu lado. – até mais tarde. Ich liebe dich.

Ich liebe dich... Du bist alles...

Was ich bin. – nossa mania, era tão fofo, eu adorava isso. E infelizmente a linha ficou muda.



14h00min.



Onde o Bill se meteu? Bem, eu não devo me estressar, são duas em ponto, ele não está atrasado, não ainda! Mas eu estou nos nervos, as alianças estão no meu bolso e eu já conversara com Simone e ela foi um doce, dizendo que estava entregando seu filho em boas mãos... E está, pois farei de tudo para sempre ver um sorriso naquele rosto tão amado por mim, farei de tudo para que ele não chore e se ele chorar estarei ao seu lado, se ele se machucar, estarei lá, se ele sorrir, estarei lá, se ele precisar de alguém, vou estar lá... Sempre.



14h30min.



Ele esqueceu? Não! É nosso aniversário de namoro, Bill jamais me esqueceria assim, ele é que dá mais valor a essa data do que eu! Com certeza está arrumando aqueles dreads trabalhosos dele, está tentando ficar ainda mais lindo para mim, como se isso fosse possível! Vou sentar e esperar... Rs' nosso lenço azul turquesa, tantas coisas já passamos com você, não? Nosso primeiro beijo, nossa primeira vez, nossa declaração de amor, tudo, sempre no lenço azul turquesa e no nosso Bosque... Na nossa árvore que agora tinha um B+T envolto em um coração, deu um trabalho enorme para fazer, mas conseguimos, eu fiz o B e ele o T, juntos fizemos o + e o ♥.



15h00min.



Ah, ele só pode estar de brincadeira comigo, não é possível, ele NÃO PODE ter esquecido! Eu liguei para ele, não... Deve ter acontecido alguma coisa, sei lá, a mãe dele... Não, a Simone sabia da minha surpresa, será que ele está preparando algo? Meu Bill não me esqueceria, ou esqueceria? Será que ele está zombando de mim? Ah, justo hoje?

– Bill! Pare de palhaçadas, amor! Preciso falar com você, é sério. – minha voz ecoou pelo Bosque, mas não houve resposta e eu me senti muito sozinho, senti uma dor enorme no peito e decidi voltar para a minha casa e ligar para ele, ou ir diretamente até sua casa, não sei.



Assim que sai do meio do mato avistei ao longe Gustav e Georg, mas... Esperem, eles estão chorando? O que houve? Fui me aproximando lentamente dos dois.

– Geh? Gust? – eles olharam rápido para trás e correram para me abraçar com força. – gente, o que aconteceu?

– O quê? Você não sabe? – Eles pararam de me abraçar. – todos acham que você fugiu por isso...

– Isso o quê? – comecei a ficar um tanto preocupado... Bill some, Geh e Gust chorando, gente achando de fugi... Estranho.

– Tom... Se acalme, ok? – Pediu Gustav com toda aquela pose de professor, mas eu estava quase perdendo a cabeça, principalmente depois que Gustav voltou a sentar com o rosto na mão e chorando mais forte. – Geh... E-Eu nã-não consi-go.

– NÃO CONSEGUE O QUÊ? O QUE ESTÁ ACONTECENDO GEORG? – Berrei furioso, o que só fez os dois chorarem ainda mais, de certa forma eu sentia um buraco se formando em meu peito, sentia estar perdendo algo.

– Vem, Tom. – Georg pegou meu antebraço e começou a me puxar até sua moto, onde me entregou um capacete branco e colocou um preto. Subi atrás dele na moto e quase morri quando ele acelerou feito louco, mas algo chamou minha atenção quando passamos na minha rua vagarosamente. No meio do caminho havia um tumulto e vi, no chão... Jogado ali como se não tivesse valor algum um medalhão de ouro... Manchado de sangue.

Fiz Georg parar na hora, corri até a multidão, as pessoas que antes choravam baixinho choraram com mais força ao me verem, eu não estava entendendo, eu não queria entender, queria expulsar aquela ideia da minha cabeça. Peguei o medalhão que ninguém notara jogado no chão e abri, dentro vi um dos lados, uma foto minha com Bill e do outro a mãe dele... Mas por que o medalhão está jogado no chão e com...

– O que aconteceu aqui? – perguntei a uma vizinha nossa, e até amiga do Bill, ela chorava descontroladamente, seu nome era Katharinne.

– Vo-Você nã-não sabe? Acham que fugiu...

– ALGUÉM PODE PELO AMOR DE DEUS ME DIZER QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO? – Berrei com todos. – POR QUE O MEDALHÃO QUE DEI AO MEU NAMORADO ESTÁ JOGADO NO CHÃO COM SANGUE? GEORG! – Virei-me bruscamente para Georg que ainda chorava em silêncio.

– Vem Tom! – e novamente ele me levou para sua moto, não sei como ele conseguiu dirigir, mas ele conseguiu e não gostei nada de ver o local ao qual ele me levou, nada mesmo. Estávamos no hospital mais próximo do nosso bairro. Desci da moto e tirei o maldito capacete. Georg foi à frente, eu estava chorando tentando não acreditar no que as evidências me diziam, eu não queria acreditar, eu não podia. Georg veio até mim e me puxou para um corredor, mas ele ia me abraçando, me apertando protetoramente, mas ainda chorando muito.

Assim que entramos em um corredor vi Simone, Gordon, alguns parentes do Bill e alguns amigos nossos também, como o Andreas. Eu andei lentamente até eles.

– TOM! Achamos que tinha fugido...

– Por que eu fugiria? – me desvencilhei de Georg ainda apertando o medalhão como se ele fosse me assegurar de que ele ainda estava...

Um médico chegou e todos se levantaram, todos com caras esperançosas, eu não queria entender a verdade a frente dos meus olhos, sentada em meu nariz zombando de mim... Da minha desgraça. Havia sangue na roupa do médico. E ele estava sério.

– Doutor...? – a pergunta muda de Simone escapou em um sussurro depressivo.

– Ele... está morto. – e se foi.

Simone caiu na hora em prantos, sendo ajudada por meu pai que chorava pesarosamente, todos choraram menos eu, eu não deixei cair uma gota, alguns me encararam, senti a mão de Georg pesando em meu ombro.

– ME DIZ PELO AMOR DE DEUS QUE NÃO É O BILL! – E então elas vieram, quentes, molhadas, elas saíram como jatos e cortaram minhas bochechas sem nenhuma permissão. – ME DIGAM QUE NÃO É MEU BILL!!!

– Tom... – olhei para Simone, ela estava de joelhos com a mão estendida para mim, nela havia uma caixa azul turquesa. Peguei a caixa chorando muito, sentia meu mundo acabando, sentia o chão sumindo... Sentia meu coração virando uma pedra de gelo pesada demais para meu corpo poder aguentá-lo.

A caixa ainda estava fechada, tinha um papelzinho com sua letra perfeita "Tommy", abri a caixa com todos me encarando. Cai de joelhos ao ver o que havia lá, deixei que a caixa caísse e espalmei minhas mãos no chão, baixando minha cabeça e chorando como nunca chorei na vida, mas aquilo simplesmente não importava, as lágrimas eram só água que escorriam por meu rosto e tocavam o chão. O que estava dentro de mim era o que me matava.



Quer namorar comigo?

Ich Liebe Dich... Du bist alles... (você termina)



E havia duas alianças, um papel vermelho com essas palavras em preto. Havia também uma foto nossa, atrás havia algo escrito, mas eu não pude ler naquele momento. Essa seria a surpresa dessa vez, ele me pediria em namoro, ele também queria dizer a todos que me amava, ele queria, ele queria... Ele não está aqui, meu Deus, o que eu faço?

Não, meu Billy não!



"- Tom... – sussurrou fechando os olhos. – e-eu tenho... uma coi-sa pra t-te contar...

– Diga... – eu sussurrei levando minha mão até seu tronco e lhe acariciando ali.

– Eu a-acho q-que... – ele suspirou pesadamente, fechei meus olhos, precisava ouvir suas palavras, porém necessitava de seus lábios nos meus. – que e-eu te... Eu te amo."



– Was ich bin, meine liebe... – sussurrei.

Alguém tenta me levantar, mas eu simplesmente estou ali, minha alma, alegria e vida se foram. Eu escutava frases soltas como "ele está em um lugar melhor", "ele ainda te ama", "não chore, ele não ia querer".

– Eu quero vê-lo. – disse de imediato.



Lá estava ele, meu Bill deitado com um lençol azul claro, seus ombros estavam à mostra e havia um pouco de sangue no lençol. Seus olhos estavam fechados... Daqui em diante estariam sempre assim para mim, eu nunca mais veria aquele brilho intenso que se assemelhava às estrelas do céu. Toquei seu rosto frio, muito frio, já não corado, sem sorriso... O rosto de um morto. Bill Kaulitz estava morto para o mundo, mas não para mim, ele estava vivo, ele me disse que estaria sempre vivo pra mim, como eu estaria para ele, como nos prometemos. Selei meus lábios aos dele, deixando as lágrimas caírem de meus olhos para os dele, não tinha resposta... Ele... Eu não tinha mais nada, a razão da minha vida estava ali, inerte naquela cama e seu rosto já não esquentava enquanto eu o acariciava. Qual foi a última coisa que ele me disse?

A mesma coisa que estava no papel "Ich liebe dich... Du bist alles..." e eu completei, "was ich bin". Peguei a aliança que eu comprara e coloquei em seu dedo e depois coloquei eu mesmo no meu.

Agora ele se foi e me deixou sozinho, para viver sem seu sorriso. Nunca me senti tão vazio. Já perdeu algo que realmente amou? Alguém? Perdeu algo que sentia que sua vida disso dependia? Se sim, parabéns, você conhece minha dor, sabe o que estou sentindo, sabe qual é o tamanho da minha dor, dor esta que palavras altamente depressivas não poderiam definir o que é...

Você já amou?

Já foi amado (a)?

Já foi feliz?

Já caiu e não soube como levantar?

Já sentiu seu coração pesar e doer tanto que o ar lhe faltou?

Se sim, lamento.

Se não, fico "feliz" por você, felicidade entre aspas, pois não sei o que é ser feliz desde 13h do dia 1º de Setembro de 2007.



Eu devia ter ido buscá-lo. A culpa é toda minha. Ele não estaria morto, não teria levado três tiros, ou eu também estaria morto.

Nesse dia eu perdi meu mundo. Não quero lhe sensibilizar nem nada do tipo, só quero lhe mostrar que dói, que machuca, que é ruim! Mas há pessoas que acham que perder uma pessoa que se amou verdadeiramente ou foi amado não é nada, acha que isso pode ser superado! Acham que uns dias depois você já pode sair sorrindo e saltitando pelas ruas e pensando com facilidade que a pessoa está em um lugar melhor, sei que ele está em um lugar melhor! Mas isso não basta para o egoísmo humano, preciso dele comigo! Ao meu lado! Preciso de seu sorriso para poder viver, preciso dele!

Mas as pessoas não se importam não é?

Acham que te colocar em uma sala com um homem de óculos e cara de inteligente, que se autodenomina "Psicólogo", vai melhorar, acham que se ele simplesmente conversar com você fará tudo voltar a ser como antes, mas não vai, simplesmente não tem como!

Sabe qual é a dor de perder a pessoa que você ama quando se está disposto a revelar ao mundo que se amam?

EU SEI! E ninguém se importou! Ninguém ligou para os meus sentimentos e só pisaram cada vez mais naquela ferida, como se não fosse nada, como se fosse passar, como se fosse só um pequeno corte superficial em minha pele! Não estou pedindo para que se importem, estou pedindo para que me esqueçam!



Estou implorando pela morte.


Flashback off



– Olá, Tom, como vai? – perguntou o coveiro Peter, sempre muito gentil e amigo, sofreu muito na vida e há quem diga que ele fala com os mortos, conversa fiada, ele é apenas um homem que sofreu e lá está sua família, por isso vive falando pelo cemitério, os mortos foi tudo que lhe restou.

– Olá, Peter, estou na mesma de sempre, acho... Estou indo embora de Magdeburg, vou para Berlim, consegui uma bolsa de estudos na Academia de Música Alemã. – baixei o olhar, mas não limpei as lágrimas, eu já não tinha vergonha de chorar.

– Por causa da promessa, não é? A promessa que ele te fez jurar que cumpriria. – olhei assustado para ele, como ele sabia? Ninguém sabia! Eu jamais contara a ninguém... Ninguém.

– C-Como sabe?

– Talvez os boatos não sejam tão loucos, Tom. – ele se aproximou de mim. – Talvez eu saiba sim das coisas, das pessoas.

– Do que está falando, Peter? – o homem a minha frente deu uma risadinha e olhou para o lado e piscou, como se houvesse alguém ali.

– Estou falando de Bill, Tom... Ele me disse que você é meio lerdo. – ele tocou meu ombro. – entende agora? Sei da promessa, sei que prometeu a ele que se algo acontecesse você continuaria, por ele.

– Bill... – eu... Não sabia o que falar, não sabia o que fazer.

– Ele disse que a culpa não é sua por sua morte, ele não o culpa. Diz que quer que viva sua vida e está parabenizando-o pela bolsa, lamenta por não poder estudar moda, mas está muito feliz por você. – o homem suspirou como se ouvisse algo. – Ele disse que não quer ver você sofrendo e que ele está bem... Ele te ama. Disse: "Du bist alles was ich bin, and you're my sacred love". Bill pediu a você que não fique mais vivendo do passado, disse que não quer que você o esqueça, mas não suporta mais ver você sofrer assim. Ele disse que está sempre com você e te apoiará em qualquer decisão e, se precisar de alguém um dia, ele vai estar no Bosque do Bill e Tom. E perguntou se você aceita? – paralisei, olhei nos profundos olhos azuis de Peter que por segundos se tornaram castanhos e brilhantes, cheios de vida.

– Aceito. – foi tudo o que eu disse. – was ich bin, Bill, eu não pude completar.

– Ele disse que acabou de completar! – deu uma risadinha. – está dizendo para você ir dizer adeus a Georg e Gustav ou perderá seu voo. E disse que sente sua falta e nunca vai te esquecer.

– Digo o mesmo, Bill, eu te amo.


Uma brisa leve e tranquila passou por mim e nesse instante me senti livre, não de Bill, livre de dores e coisas ruins, senti a felicidade que ele me transmitia antes, senti seu amor me atravessar e soube, sempre teria Bill. Ele estará me esperando, ele está me esperando... Sempre.













Notas finais do capítulo

Bem! Minha primeira ONE *--* Ficou boa? Ah, essa foto do fim vcs entenderam? Representa dois lados opostos, o Tom na Terra e o Bill em outra dimensão... mas ainda assim juntos >.< awwn
Sei que o final não ficou lá essas coisas e tal, mas... Ah, sei lá, tinha que ser curto, tinha que ser a prova de que eles estarão sempre juntos... Que o Bosque sempre estará lá esperando por eles, que tudo foi real... T.T
Nossa, lembrei de onde veio a idéia dessa fic agora, ela meio que foi real... Mas não quero falar sobre isso. Eu estava no dito Bosque e pensei: Por que não? Pode ficar bonitinho até!
Ai eu estava voltando pra casa, indo embora do Bosque quando vi um acidente... Mais um acidente e pensei: Pronto.
Mas ficou um lixo, não ficou do jeito que eu queria, mas acho que dá pra passar o tempo, não sei... As leitoras são vocês não? Vocês que dizem como ficou! *-* Ai, espero mesmo que gostem...
Bem, posso pedir pelo menos reviews?
Obrigada amores! Espero que tenham gostado da minha primeira ONE, já que me dediquei muito a ela!
Küsses!

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2 comentários:

  1. Aiii. Que linda essa One. Morri horando aqui quando o Bill Morreu. Muito linda mesmo. Posta outras.

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    1. Awnn, obrigada *-----*
      Haha' eu também chorei escrevendo D: foi tenso AHUSUASHUAHS'
      Obrigaaaada de novo :333 vou escrever mais uma assim que der ^^

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